Christina Lima e André Bürger
Para o chat especial do Ciclo Comunicar Liderança, o Nós da Comunicação convidou André Moragas, diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Ampla Energia e Serviços S.A. Para o jornalista, os processos de comunicação têm grande importância nos relacionamentos entre líderes e liderados. “Um bom líder é aquele que deixa claro o caminho a seguir e não tem agendas ocultas”, explica. “Só esse líder vai conseguir mover a equipe e inspirar para o caminho certo.”
Moragas comentou uma reportagem recente do jornal ‘Valor Econômico’ que apontava uma nova tendência nas lideranças empresariais. A matéria revela que os próximos presidentes das organizações sairão da área de comunicação. “A era dos administradores, economistas, engenheiros está se esgotando. Vai liderar quem souber comunicar e lidar com os anseios da sociedade”, afirma.
Além do tema do ciclo, o jornalista falou também sobre o recém-criado blog ‘Na hora do cafezinho’, que ele mantém no Globo On-line, e como essa experiência mudou sua relação com os colaboradores da Ampla. “Eles dão sugestões e até fazem comentários me questionando sobre atitudes que às vezes eu tomo e que vão contra o que escrevi. Depois acabo revendo meus conceitos. O blog tem servido muito para me melhorar também”, conta.
Ao final do chat, o Nós premiou cinco participantes com livros da série 'Gestão de Pessoas', oferecidos pela editora FGV aos autores de boas perguntas durante a conversa. As obras são: “Gestão estratégica de pessoas”, “Liderança e motivação”, “Capacitação e desenvolvimento de pessoas”, “Gestão por competências e gestão do conhecimento” e “Atração e seleção de pessoas”. Os vencedores foram Juliana Nunes (Jununes), Fernanda Trewikowski (ftrewikowski), Joanna Figueiredo Paraizo Garcia (joannaparaizo), Caroline Rodrigues (CRodrigues) e Ana Clara Werneck (Ana Clara).
Confira os destaques do bate-papo virtual com André Moragas:
Nós da Comunicação: Moragas acaba de lançar o blog 'Na hora do cafezinho' com o objetivo de compartilhar experiências do mundo corporativo. Certo, André?
andre.moragas: Isso mesmo. A ideia do blog surgiu para que possamos compartilhar experiências do mercado e do mundo corporativo.
Nós da Comunicação: Vale especialmente ler a entrevista que o André fez com o René Silva. E isso foi antes do Alemão virar notícia mundial, não foi?
andre.moragas: Esse garoto foi o destaque na cobertura do Complexo do Alemão. Ele ficou de dentro do morro twittando informações sobre a invasão. Ele lançou um jornal com 11 anos e hoje, com 17, já conseguiu patrocínio da TIM e vai lançar aplicativos para iPad e iPhone. É um exemplo de como pode dar certo se tiver dedicação, mesmo dentro de um ambiente adverso. Ele foi destaque em vários jornais e o twitter dele já superou 50 mil seguidores em dois dias, se não me engano.
Nós da Comunicação: É impressionante. E mostra como a Comunicação tem relação com a Liderança. Ele é uma liderança naquela comunidade, de certa forma, não é?
andre.moragas: Isso mesmo. Ele virou referência na comunidade do Morro do Adeus, uma das favelas que compõem o Complexo.
André Burger: Em tempos de grande facilidade no acesso às notícias e diversos tipos de informação, quais desafios os líderes devem enfrentar nesse cenário?
andre.moragas: O primeiro desafio é filtrar e trabalhar essas informações. De nada adianta ter uma massa de informações se você não consegue entendê-las.
EXEMPLOS E ESTILOS DE LIDERANÇA
joannaparaizo: Como um líder deve se posicionar numa situação de pós-crise empresarial?
andre.moragas: Em tempos de crise o melhor remédio é a transparência. Muitos líderes usam a tática do avestruz, enfiam a cabeça no chão esperando que o problema passe sozinho. Isso nunca acontece. Você tem, nessa hora e depois, que falar muito. Explicar o que acontece. Ser transparente.
joannaparaizo: Ou seja, fazer uso e - por que não - abuso da comunicação a favor de todos, certo? Mas você consegue me dar um exemplo de um líder que enfrentou uma crise empresarial e soube motivar seus colaboradores depois que saíram da crise?
andre.moragas: Isso mesmo Joanna. Já passou o tempo onde quem segurava informação, segurava poder. Hoje, quem democratiza a informação é que detém o poder, pois vira referência. Temos vários exemplos na vida real e na literatura, mas um que gosto sempre de citar foi a crise enfrentada pela TAM na queda do avião em SP. Quando o então VP de marketing, Luis Eduardo Falco, liderou a companhia.
joannaparaizo: Acredito! E como a mídia, no Brasil também é o quarto poder ajuda um pouco, eu acho. Pois é, eu também sempre penso na crise da TAM. Mas estou fazendo minha tese de mestrado sobre isso e precisava pensar outros exemplos!
andre.moragas: Falco montou uma sala de crise, não deixou a empresa parar com seus vôos e foi transparente o tempo todo com o mercado. Se vocês quiserem conhecer mais desse caso, ele é relatado no livro A era do escândalo, do jornalista Mário Rosa.
Liliane Selouan: E antes de uma crise? Tem alguma receita para evitar ou minimizar este momento?
andre.moragas: Tem sim. O ideal é sempre estar em contato com a sociedade, ou seja, ser referência. Criar um colchão de confiança para que no momento de crise ele seja gasto. Se você passa credibilidade antes da crise, no momento de crise será ouvido com mais atenção.
danco: Você acredita que, de certa forma, hoje todos nós, jornalistas, somos uma espécie de líderes, mediante a auto-gestão proporcionada pela internet e também pela mudança nas relações trabalhistas, que transformou quase todos os jornalistas em PJ?
andre.moragas: Acredito nisso sim. Não só nós jornalistas, mas qualquer cidadão hoje é um líder de opinião. E com isso pode mudar a história da sociedade.
reis: Até bem recentemente, liderança era ser chefe, ter um cargo. Hoje, ser líder passa bem longe disso. O caso desse menino não é uma tradução perfeita do espírito do nosso tempo?
ftrewikowski: Sim Reis, até porque liderar tem muito de quem você está liderando, e liderar geração Y é totalmente diferente.
andre.moragas: Já foi o tempo em que o que contava era o cargo. Hoje o que conta é a pessoa, o espírito, a liderança, o poder de mover e realizar sonhos.
ftrewikowski: E acredito que liderar geração Z será pior ainda.
Cássia Gomes: Acho que o verdadeiro líder é aquele que compartillha seu conhecimento com os outros. Liderar é portanto, compartilhar, somar forças por um ideal.
joannaparaizo: O problema é que existem vários estilos de liderança. Acho que não tem certo e errado.
andre.moragas: Pode não ter certo ou errado, mas hoje, como bem citou outro participante, a geração Y e a Z só vão seguir aqueles que os inspiram. Não existirá mais a liderança pelo poder, mas sim pela mobilização.
O PAPEL DA COMUNICAÇÃO
André Burger: Pensando nessa relação entre líderes e liderados, em sua opinião, qual a importância dos processos de comunicação nesses relacionamentos?
andre.moragas: A comunicação é fundamental. Um bom líder é aquele que deixa claro o caminho a seguir e não tem agendas ocultas. Só esse líder vai conseguir mover a equipe e inspirar para o caminho certo.
reis: Podemos afirmar que todo bom líder é um bom comunicador antes de mais nada?
andre.moragas: Isso mesmo. Para ser um bom líder você tem que obrigatoriamente ser um bom comunicador. Senão, será apenas um chefe. E um mau chefe. Outro dia o Valor trouxe uma matéria afirmando que os próximos presidentes das empresas sairão da safra do profissional de comunicação, por conta dessa tendência, ou seja, o era dos administradores, economistas, engenheiros está se esgotando. E quem vai liderar é quem souber comunicar e lidar com os anseios da sociedade.
reis: Faz sentido a matéria do Valor. O ex-presidente da BASF aqui no Brasil, Acker, veio da área de comunicação, mas para isso os profissionais de comunicação precisarão investir na formação em gestão, conhecimento de métricas etc. Há um senso comum de que os jornalistas, em geral, fugiram da matemática.
andre.moragas: É isso mesmo. o profissional de comunicação tem que se especializar e aprender a fazer conta, pois o lucro e a performance financeira continuarão sendo importantes para uma empresa sustentável.
joannaparaizo: Claro que existem características intrínsecas a um bom líder. E a comunicação é a chave da questão. Eu citaria Bernardinho como um grande líder, guerreiro, forte e que sabe movimentar seus liderados e gerar resultados através das suas expressões corporais, principalmente!
Pri Góis: Pra mim não existe um líder, se ele não souber se comunicar!
andre.moragas: Você está certíssima. Se não sabe comunicar, ele é apenas um chefe, pelo cargo. E com certeza um mau chefe. Já passou o tempo onde as empresas trabalham dando ordens de cima para baixo, sem ter interesse em se comunicar. Hoje um plano estratégico só se concretiza se tiver um propósito. As pessoas estão querendo um propósito e não mais uma ordem de cima pra baixo. E nesse ponto a comunicação é fundamental, pois sem ela não há propósito comum.
MUNDO CORPORATIVO
ftrewikowski: Não podemos esquecer da forma como a empresa trata a pessoa funcionário. Isso varia muito entre as empresas.
andre.moragas: É claro que essa tendência tem que ser passada para todos os níveis da empresa. A empresa que não enxergar isso agora está fadada ao fracasso.
ftrewikowski: Exato, enquanto as empresas não perceberem o seu maior bem, que são as pessoas, a tendência é morrer. Temos uma geração vindo aí altamente contestadora.
Marcos: Você vê as grandes lideranças realmente interessadas e sabedoras da importância que uma comunicação integrada pode ter para uma empresa?
andre.moragas: As grandes lideranças já se deram conta disso, sim. E estão movimentando as empresas nesse sentido. Não é à toa que dez anos atrás a comunicação era fragmentada e aparecia apenas no terceiro nível das corporações. Hoje ela é consolidade e tem assento na diretoria. Posso citar a Vale, a Tim, a Coca-Cola e outras empresas que funcionam assim.
Marcos: A comunicação digital promove uma corrida das empresas às redes, mas notadamente para o público externo. Como tem sido o uso das redes para o público interno? Se é que ainda existe um público apenas interno.
andre.moragas: Concordo com você. Não existe mais público apenas interno. Esse cara é o seu cliente interno, externo, formador de opinião, etc. Tem um caso que gosto muito de citar que é o da IBM. Lá eles têm uma rede de blogs para todos os funcionários. Cada um tem o seu e se expressa como quiser. E eles usam essa rede para trocar informações.
O PODER COMUNICADOR DO LÍDER
André Burger: Já falamos de diversas qualidades fundamentais para um líder. Quem você citaria como exemplo de líder - pode ser em qualquer campo, político, empresarial, social etc.? E por quê?
andre.moragas: Temos vários. Do ponto de vista de comunicação (e não estou falando de política) posso citar o Lula. Ele sabe exatamente como comunicar e fazer com que toda população entenda conceitos muito complicados. Outro no mundo empresarial é o próprio Falco, que também motiva as pessoas e entrega resultado. Hoje presidente da Oi e também oriundo da comunicação. Tirando a questão religiosa da pauta, Jesus foi e continua sendo um líder. A ferramenta que usou de metáforas para passar conceitos é o mesmo usado hoje por grandes líderes.
joannaparaizo: Aquele livro, Jesus CEO é demais! E fala sobre isso. Apesar de não ser petista e não ser fã dele, infelizmente concordo que Lula seja um líder eficaz nesse sentido da comunicação, seria até ridículo não concordar.
Cássia Gomes: Também acredito que Jesus foi e continua sendo um líder. Tanto é que num filme que assisti há pouco 'O livro de Eli'.
Pri Góis: O Lula realmente consegue envolver a todos. O que me deixa mais surpresa é que mesmo com erros na liguagem, ele consegue atingir seus objetivos.
andre.moragas: Não se engane, os erros de linguagem são propositais. Nada do que ele fala é por acaso. Há um treinamento forte para isso. Tudo é calculado no discurso, até os erros de liguagem.
joannaparaizo: Exato! Lula usa isso para atingir todas as audiências. Tudo é calculado, erros propositais. E o pior (ou melhor?) é que dá certo.
ftrewikowski: Obrigada André! Pri, ele tem um marketing político fortíssimo por trás dele, que determina até cor de gravata, dá uma olhada no documentário chamado 'Peões'.
reis: Ser comunicador não pressupõe domínio gramatical e ter passado pela Academia. Mas ter um discurso claro, criar empatia e saber falar o que o outro quer ouvir. Isso, a gente gostando ou não, é uma competência que o Lula tem de sobra.
ftrewikowski: Um participante disse acima sobre fazer contas e etc. Dêem uma olhada nisso, o livro: Retorno de Investimentos em Comunicação: Avaliação e Mensuração
reis: Além desse livro, bastante divulgado no Nós, há uma edição da revista Comunicação 360º, a de número 13, que aborda exatamente o papel do comunicador e as novas exigências em termos de habilidades e conhecimentos.
ftrewikowski: Saber se comunicar é algo muito mais antigo do que imaginamos. Vocês sabiam que as pessoas têm mais medo de falar em público do que de morrer? É um estudo isso.
andre.moragas: Tive acesso a esse estudo e, dos três maiores medos; o primeiro é falar em público, o segundo morrer, e o terceiro andar de avião.
andre.moragas: Tem um filme que sempre recomendo para meus alunos da ESPM que é o 'A Rainha' que fala sobre a morte de Diana. Ali vocês podem ver como a comunicação (boa e ruim) faz toda a diferença e como Tony Blair saiu bem da história e a Família Real quase perde o trono.
A EXPERIÊNCIA DO BLOG
Ana Clara: No seu blog, você dá opiniões pessoais, se mostra como "pessoa física". Você acha que isso implica de alguma forma na sua imagem institucional?
andre.moragas: Discutimos muito isso antes de entrar com o blog e só pude fazer isso porque, na empresa onde trabalho (Ampla) e no Globo, temos uma visão muito parecida de como se dá a comunicação e como esse mercado vem evoluindo. Ali não discuto questões da empresa, mas coloco as minhas opiniões sobre assuntos diversos. Do mesmo modo, Ana, quando falo pela empresa, não falo como pessoa física, mas como instituição. É muito difícil separar isso, mas não é impossível. E acho que os leitores entendem e respeitam a posição.
Ana Clara: Você sente esse efeito de aproximação provocado pelo blog?
andre.moragas: Sinto sim. As pessoas têm trocado muita informação comigo e já fui procurado por diversos profissionais com ideias de assuntos para discutirmos. Tenho aprendido muito com essa experiência.
ftrewikowski: Engraçado, acho que hoje, para quem trabalha com mídias sociais, como eu, em uma consultoria, o assunto que mais se discute é: imagem da empresa diante das midias, ser formal?
andre.moragas: Acho que linguagem informal sempre é melhor. Aquela posição de poder que a empresa tenta passar sendo formal está ultrapassada. Mas temos também que medir essa informalidade. Liberdade não pode ser confundida com libertinagem. Só para completar, costumo dizer sempre para os meus alunos que estou na sala de aula para aprender. E eles sempre me ensinam com a visão deles.
CRodrigues: Quando coloca-se a visão pessoal em uma mídia, você está se aproximando das pessoas e fazendo com que talvez elas se identifiquem com você, o que ao meu ver é uma grande conquista.
andre.moragas: O blog é um projeto pessoal de um jornalista que estava com saudades de escrever e queria compartilhar experiência. E acho que estou ganhando muito com isso. Costumo dizer que aprendo mais do que passo informação. Tem sido enriquecedor.
Liliane Selouan: Como você define os temas que vão entrar no blog? Tem recebido muitas sugestões?
andre.moragas: Desde que comecei o blog deixei claro que aquele seria um espaço democrático. Então, toda sugestão que chega eu tento abordar de alguma forma. Além disso, os comentários são liberados (existem apenas filtros interno do Globo contra algumas citações, palavrões, por exemplo). E faço questão de responder a todos.
CRodrigues: Acredito que um princípio muito importante na liderança, é justamente o lider estar face a face com todos, e que todos se identifiquem com ele. O Líder deve ser e dar o exemplo
ftrewikowski: E saber que ele também tem muito o que aprender, como o André disse.
CRodrigues: Sempre em um sistema de TROCA de aprendizado e conhecimento.
Cássia Gomes: Acho que o melhor método de ensino há a troca das partes envolvidas.
ftrewikowski: Odiava professores ou chefes que sempre sabem tudo e você não sabe nada, o bom líder deve ter humildade também.
Cássia Gomes: Acaba sendo aquele onde temos um papel importantissimo na evolução do outro.
andre.moragas: Acredito muito nisso Cásia. Com meus alunos e com a equipe com a qual trabalho. Não é raro eu tomar bronca da equipe e me colocarem no rumo certo. E é disso que mais gosto no dia a dia. Aprender com eles e saber que o resultado final está vindo da equipe e do que eles pensam.
Ana Clara: No âmbito institucional, acho que esse tipo de iniciativa, de criar blogs, não é muito comum. Você pretende criar algo como o exemplo da IBM na Ampla?
andre.moragas: Na Ampla e no grupo Endesa Brasil do qual fazemos parte, estamos criando uma nova intranet na qual os colaboradores poderão além de criar blogs, contribuirão com matérias para o portal. Nada melhor do que eles mesmos nos contarem o que acontece em suas regiões de trabalho.
jununes: Obrigada por compartilhar um pouco do seu tempo conosco. Gostaria de te perguntar qual é a melhor maneira de persuadir gestores tradicionais, de empresas familiares, por exemplo, sobre a importância das redes sociais? Recentemente tivemos uma crise de imagem nos perfis sociais da empresa em que trabalho por pura intransigência superior e reter informações importantes. Por mais que expliquemos, eles ainda tendem a achar que Twitter, por exemplo, é bobagem. Não conseguem enxergar a força que a ferramenta tem.
andre.moragas: Nem sempre é fácil, mas o que costumo sempre fazer quando algo da errado diante de uma orientação não seguida da área de comunicação é o que chamo de "cobrar a fatura". Chegar para o chefe e mostrar onde deu errado e como podia ter sido melhor se tivéssemos seguido a orientação da equipe. Depois de duas faturas cobradas geralmente na terceira somos ouvidos de melhor forma. Nunca falhou. É importante também cobrar a fatura, mas apresentar soluções para o caso. Não dá pra ficar só no "viu, não te disse".
joannaparaizo: O líder está a frente, mas claro que a força da equipe - todos juntos - é que faz a diferença! é clichê, mas é a união que faz a força né?
andre.moragas: Não só a união faz a força, mas ensina muito e pode virar o jogo. Mas para isso o líder tem que fazer parte da equipe,, deixar o seu quartel-general (sua sala) e rastejar pelas trincheiras. A equipe tem que sentir que você é mais um deles e não só o líder. Você tem que fazer a diferença junto com a equipe e a sua parte.
joannaparaizo: Por isso a comunicação ainda aparece como fator essencial na relação líder-liderados, certo? Sem ela, é impossível que as coisas sejam feitas e, bem feitas, diga-se de passagem.
André Burger: Após a criação do blog, o que mudou em relação àqueles que trabalham com você na Ampla? Eles colaboram com sugestões de pauta para o blog?
andre.moragas: Contribuem sim. Eles dão sugestões, criticam e até fazem comentários me questionando de ações que às vezes eu tomo e que vão contra o que escrevi. O post da 'reunião almoço' foi um exemplo disso. E depois acabo revendo meus conceito e minhas atitudes. Tem servido muito para me melhorar também.
Liliane Selouan: Burger, depois do blog ele ficou mais criativo e parou de marcar reunião almoço, rs.
andre.moragas: Bom gente, ta aí a Liliane que não me deixa mentir...
Ana Clara: Você acha que há limites para o uso de redes sociais nas empresas?
andre.moragas: A rede social por si só não impõe limites. Por isso acho que não é a empresa que deve limitar isso. Mas sempre tem a questão tecnológica que devemos prestar atençao. Mas o importante também é não entrar nessa onda por moda, mas sim com uma estrutura.
CRodrigues: Lembrando que esta comunicação deve ser Eficaz! Sem inferências, utilizando a linguagem correta para cada pessoa e etc. Pois a comunicação, dependendo de como for feita. Pode ser ineficaz e as vezes passar o contrário do que queria ser passado!
Nós da Comunicação: Você é um chefe carente na hora do almoço, André?
andre.moragas: Oi Nós, acabei percebendo que estava sendo sim, carente, sem me tocar no assunto. Mas foi bom que depois dos feedbacks da equipe reduzi a incidência. E eles me chamaram mais para almoçar...rsrsrsrsrs
reis: Aliás, fazer qualquer coisa por moda é um risco. Estar nas redes sociais exige estrutura, estratégia e muita competência, especialmente saber bem o que se quer, não André?
andre.moragas: Isso mesmo reis, não dá para ficar no modismo... tem que se ter estratégia... até nas coisas pessoais, como o blog. Antes de entrar no ar, por exemplo, detalhei o projeto e discutimos pelo menos três meses para chegar a conclusão de como seria sua linha editorial. Nas redes sociais, se você não tem um plano e um propósito bem definido é melhor nem entrar.
reis: Voltando à liderança, você acredita que a liderança é inata ou que é possível se formar líderes? E, se você acredita que é possível, teria algum exemplo interessante para nos contar?
andre.moragas: Acho que algumas pessoas nascem com esse poder de liderar, mas é claro que é possível transformar. Tudo é possível transformar. Eu, por exemplo, era o maior nerd da escola. Morria de vergonha de tudo e de todos e depois de muito treinamento hoje dou aula, palestra e me exponho bastante. Tudo é possível... rsrsrsrsrs
ftrewikowski: Como atrair seu público-alvo para as mídias?
andre.moragas: Acho que os públicos já estão nas mídias sociais. O que você tem que fazer é se diferenciar, ou seja, mostrar conteúdo que seja relevante para ele. Sem isso, impossível.