BUSCA
LOGIN

Caminho das áreas(breadcrumbtale)

Entrevistas

19/9/2011

CICLO COMUNICAR ECONOMIA CRIATIVA

John Howkins: A largada da economia criativa nas Olimpíadas de 2012

Diego Iraheta

  
 
digg delicious stumble comentar

rss enviar imprimir
 
John Howkins é professor da City University, em Londres, e consultor do governo chinês

Nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, as partidas de futebol, vôlei e basquete vão concorrer com a maior celebração artística na história moderna das Olimpíadas. A capital mais cosmopolita da Europa vai sediar a Olimpíada Cultural, que começa 21 de junho e segue até 9 de setembro. Esse período é, inclusive, mais longo que o dedicado às competições dos esportes olímpicos e paraolímpicos. Um dos principais exportadores da economia criativa no mundo, o Reino Unido está montando um ‘palco sem fronteiras’ por toda a extensão de seu território. Serão centenas de apresentações de teatro, dança, exposições e exibição de filmes. Autor do best-seller ‘The Creative Economy: How people make money from ideas’ (Penguin, 2002), John Howkins acredita que essa ‘festa’ cultural não vai deixar nada a desejar em relação à memorável cerimônia de abertura das Olimpíadas de Beijing, em 2008.
 

“A China é melhor no tipo de exibição cultural de massa, mas o Reino Unido vai protagonizar muito mais eventos”, compara. Professor da City University, em Londres, e consultor do governo chinês, Howkins analisa abaixo a diferente trajetória dos dois países na adoção dos princípios da economia criativa. Ele também critica o design ‘bagunçado’ da logo oficial das Olimpíadas e lembra que os londrinos estão um pouco apreensivos com os elevados gastos dos jogos. “Mas quase todos apoiam a programação artística e cultural”, destaca. Leia a entrevista completa com o especialista.

Nós da Comunicação - Podemos considerar que a criatividade está no coração dos Jogos Olímpicos. Além de esporte, o país anfitrião costuma oferecer para o mundo um espetáculo de artes, ideias e costumes nacionais, especialmente na cerimônia de abertura. Como o Reino Unido, um dos principais exportadores da economia criativa, está adicionando seus ingredientes criativos à organização das Olimpíadas de Londres, em 2012?
John Howkins -
A comunidade criativa do Reino Unido está fazendo uma contribuição gigantesca para a Olimpíada Cultural em 2012. Todas as organizações de artes vão realizar atividades especiais, e o governo britânico também está patrocinando muitos eventos. Londres está determinada a ter uma grande festa no verão de 2012 – até mesmo aquelas pessoas que não curtem esportes.
 

Nós da Comunicação - Então, quem vier a Londres em 2012 vai dividir as atenções entre a competição esportiva e a Olimpíada Cultural. Como os britânicos e turistas podem conciliar torcida e apreciação artística?
John Howkins -
Alguns eventos culturais e exposições vão ser realizados no Parque Olímpico. No entanto, tanto o parque quanto a vila olímpica estão relativamente distantes da área central (em Stratford, na zona leste). Por isso, a maior parte dos eventos de arte será no centro de Londres e ao redor do país.
 

Nós da Comunicação - Qual é a avaliação geral dos britânicos em relação a essa Olimpíada Cultural?
John Howkins -
Os britânicos estão preocupados com muitas controvérsias relacionadas às Olimpíadas, como os custos enormes dos jogos – cifras acima de dez bilhões de libras – e a poluição causada por um evento desse porte. Mas quase todo mundo apoia os programas culturais e artísticos.
 

Nós da Comunicação - O design é um dos elementos-chaves na economia criativa. Já foram lançadas três diferentes logos das Olimpíadas 2012 – a última, no início de junho, foi produzida graças ao trabalho voluntário de moradores de Londres. Pessoas de diferentes faixas etárias foram recrutadas para desenvolver o design. Como esse trabalho coletivo pode resultar em um ‘produto melhor’, em uma logo mais atraente?
John Howkins -
O design oficial do Comitê das Olimpíadas de Londres é estranho e bagunçado. O comitê acabou tendo que acrescentar as palavras ‘Londres’ e ‘2012’ para mostrar o que o desenho representava. Como consequência, os londrinos têm desenvolvido soluções alternativas. Mas há apenas uma pequena correlação entre o número de pessoas envolvidas em criar um design e a beleza, sucesso ou impacto do resultado. Criar uma logo é uma conjunção de arte e funcionalidade. Ela tem que servir a diversas funções em muitas mídias diferentes. Podemos dizer que a maioria das logos das Olimpíadas era sem graça e foi facilmente esquecida. Ao contrário, a logo dos Jogos Olímpicos de Londres é memorável, apesar de não ser elegante.
 

Nós da Comunicação - De que forma as mídias digitais podem ser utilizadas para garantir uma comunicação bem-sucedida dos Jogos Olímpicos?
John Howkins -
A TV Digital é essencial para transmitir o evento para audiências globais. O formato Pay-TV é uma fonte fundamental de lucros. Já as mídias sociais serão uma novidade maravilhosa no ano que vem. As redes sociais têm pouco mais de cinco anos e foram pouco utilizadas na China, em 2008. Estas serão as primeiras Olimpíadas das mídias sociais, as primeiras Olimpíadas do Twitter!
 

Nós da Comunicação - A cerimônia da abertura das Olimpíadas de Beijing, em 2008, foi uma das mais grandiosas nos últimos anos. Tendo em vista que você conhece bem tanto a indústria criativa da China quanto a do Reino Unido, que aspectos você destacaria em relação às diferentes aplicações da economia criativa nos dois países?
John Howkins -
A China e o Reino Unido são países bastante criativos, mas cada um utiliza sua criatividade para diferentes propósitos. Os chineses são mais sensíveis às implicações sociais do uso da criatividade, enquanto os britânicos estão mais preocupados com as liberdades individuais. A Inglaterra, como parte do contexto da Europa Ocidental, tem uma maravilhosa herança cultural com registro de risco e originalidade. Já a China teve ondas de inovação até o século 17, mas a partir daí olhou para dentro e rejeitou mudanças tanto na tecnologia de produtos quanto nos processos sociais. Só mais recentemente, voltou a inovar. É importante destacar que a companhia chinesa responsável pela produção digital das Olimpíadas de Beijing, em 2008, estará encarregada das mesmas atividades em Londres, em 2012.
 

Nós da Comunicação - Qual foi o combustível necessário para transformar a China num polo de inovação?
John Howkins -
Quando eu visitei a China pela primeira vez, em 1979, conheci alguns cientistas originais, de trabalhos avançados. No entanto, eles tinham pouco apoio do governo. Aproximadamente em 1985, o governo começou a incentivar o Partido Comunista da China e as companhias a apostarem em inovação. Desde 2000, a China tornou-se muito inovadora nas artes, na indústria de veículos, no uso de energia.
 

Nós da Comunicação - Aliás, a China começou a implementar a disciplina de economia criativa no currículo escolar. É possível avaliar se a China será o principal expoente da indústria criativa mundial até o fim da década?
John Howkins -
A China vai se tornar uma peça importante na economia criativa global. E pode, sim, substituir os Estados Unidos como o ícone cultural mais desejado. Agora, é impossível prever quando isso vai acontecer.
 

Nós da Comunicação - Para finalizar, podemos esperar em Londres, no ano que vem, um show de cultura e esportes tão belo quanto o que testemunhamos em Beijing, em 2008?
John Howkins -
Os chineses são melhores nos tipos de exibição cultural de massa e de performance pública, necessários para a cerimônia de abertura. Mas o Reino Unido vai protagonizar muito mais eventos culturais. Será uma festa londrina durante todo o verão de 2012 [inverno no Brasil]. Vai ser maravilhoso!


COMENTÁRIOS( 0 )





lembrar senha / login cadastre-se

XXX