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Reportagens

17/02/2011

COMPORTAMENTO

Pensamentos e propostas dos participantes do TEDxRio

Christina Lima

  
 
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Rodrigo Arboleda, CEO da One Laptop per Child Association

Sonhos, determinação, colaboração e mudanças foram os motes das palestras do TEDxRio. Leia 'TEDxRio: uma plataforma para conectar pessoas e projetos'. Profissionais de várias áreas e talentos apresentaram suas ideias para um desenvolvimento mais sustentável em uma cidade tão problemática e apaixonante como o Rio de Janeiro. Confira um resumo do pensamento dos demais palestrantes:
 

VISÕES

Ao defender uma evolução humana mais amadurecida, Ricardo Guimarães, fundador da Thymus Branding, propôs uma mudança de comportamento baseada na auto-organização e nos princípios da interdependência. “Convoco ‘designers’ de todas as profissões a redesenharem uma nova sociedade” e empolgou-se no novo grito de ordem: “Interdependência ou morte!”.

O design como agente de transformação foi o mote da apresentação de Rique Nitzsche e Paulo Reis. Eles defenderam a ideia do design thinking, metodologia que ajuda a pensar o que já foi construído, usando a intuição, olhando o problema de forma holística e utilizando os dois lados do cérebro. “Os seres humanos são naturalmente designers. O pensamento precisa de uma linguagem para se expressar”, concordaram.

O colombiano Rodrigo Arboleda, CEO da One Laptop per Child Association, exibiu seu ‘laptop verde’, instrumento que é parte de um projeto internacional, que inclui uma filosofia pedagógica para empoderar crianças pobres do mundo por meio da educação. “Quero propor uma grande cruzada contra a ignorância, a mãe da miséria, que é a mãe da violência”.

Carlos Osório, secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos do Rio de Janeiro, apresentou um bonito vídeo para mostrar a ação da Comlurb na praia de Copacabana no primeiro dia de 2011 e contou que, diante da surpresa de Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) com a rapidez com que ficou pronto o Centro de Operações da prefeitura, respondeu ao belga: “Isso aqui é o Rio de Janeiro!”. O entusiasmo diminuiu ao comentar os constantes ataques às estátuas do poeta Carlos Drummond de Andrade e de São Cristóvão, que além do cajado, teve uma das pernas de bronze cortada.


PEQUENOS GIGANTES

O pesquisador do Ministério de Ciência e Tecnologia, Jorge Lopes, criador de um projeto que utiliza o exame de ressonância magnética tridimensional para gerar um modelo em 3D que pode facilitar a detecção de má formação nos fetos, fez críticas à burocracia brasileira. O cientista, que considera os entraves burocráticos “estúpidos, arcaicos e colossais”, citou como exemplo a compra de um equipamento em janeiro de 2010 em Israel que só chegou ao Brasil em dezembro.

As vantagens da educação informal foram apregoadas pelo organizador dos TEDxSP e Amazônia, Helder Araújo. Para o fundador da rede Busk.com, que conecta pessoas que estão lendo notícias sobre assuntos em comum, o sistema educacional forma profissionais mais capacitados e não pessoas mais felizes. “Cerca de 75% de todo o conhecimento que aprendemos ao longo da vida é de maneira informal”, lembra o designer.

Em uma sucinta apresentação, o empresário Ricardo Bellino, definiu sua trajetória em três ‘S’: sonho, superação e sucesso, apesar de ter declarado que aprendeu mais com seus fracassos. Sócio de Donald Trump em negócios e responsável por trazer a Elite Models para o Brasil, Bellino é um ativista do empreendedorismo. “O melhor legado que os pais podem passar aos filhos é a capacidade de sonhar”, afirmou um dos idealizadores da organização Escola da Vida. 

O bancário Alex Silva de Souza compartilhou histórias bem-sucedidas de pequenos empresários que, com o auxílio do microcrédito, puderam abrir negócios que mudaram suas vidas. “Gosto de utilizar a metáfora das ostras. Ao enfrentarem um ‘cisco’, elas transformam o ‘incômodo’ em pérolas”. Transformadores. Assim são os cariocas atendidos por ele em várias comunidades do Rio.

O produtor de vídeos e surfista Rafael Mellin ‘vendeu’ seu estilo de vida e forma de tocar sua empresa, tipicamente cariocas. Ele é contra o estereótipo do malandro do Rio, mas acredita que trabalhar de cabeça fresca é bom para os negócios. “Ficou claro que não é a quantidade de horas na frente do computador que representam o sucesso do trabalho”, declarou.
 

LEVEZA RIO

Para o economista Sérgio Besserman, ex-diretor do BNDES e ex-presidente do IBGE, a economia criativa e do conhecimento são capazes de destacar o Rio de Janeiro no cenário mundial. “Os ativos intangíveis são ainda mais importantes no caso do Rio porque fazem parte da essência da cidade: marca, associada à agenda 21; um ativo mais sutil: a capacidade do encontro e um capital intangível que não temos: uma cultura de trabalho que valoriza a excelência”, listou.

A palestra dos rapazes do programa de TV ‘Não conta lá em casa’, exibido no Multishow, teve a intenção de incentivar outras iniciativas que tentam compreender melhor o diferente o conhecendo de perto. Os quatros amigos viajam por lugares menos óbvios como Afeganistão, Etiópia e Coréia do Norte. “A ideia surgiu do descrédito nas informações veiculadas pela mídia”, contou o jornalista e publicitário André Fran.

O engenheiro Christian de Castro aliou seus conhecimentos adquiridos no mercado financeiro e o amor pelo Rio à indústria audiovisual para desenvolver seu verdadeiro dom: o cinema. Há 12 anos atuando nesse mercado, o consultor administrativo da distribuidora de filmes Lumière, atua como produtor executivo do longa ‘Rio, eu te amo’. “O que mais em surpreende é a capacidade de transformação social gerada pela força criativa”, disse.

Dono da grife Osklen, Oskar Metsavaht utilizou a capa da revista ‘The Economist’ com o título ‘Brazil takes off’ para ilustrar o bom momento do país e, consequentemente, do Rio. Para o empresário da moda, nossa vantagem reside no poder de não apenas acumular culturas e sim miscigená-las. “Os brasileiros valorizam o multiculturalismo. Enquanto os norte-americanos têm o ‘way of life’, temos ‘lifestyle’; enquanto eles querem apenas consumir, queremos vivenciar”, acredita.

O nerd assumido Christian Aranha, fundador da empresa de inteligência competitiva Cortex, aposta no Rio de Janeiro como um parque de desenvolvimento de software de primeira linha. “Creio nesse polo que congrega universidades e pode vir a se tornar o Vale do Silício do Brasil”, prevê. “A energia humana é a mais importante do mundo. É nela em que devemos investir”. 

Antes da performance que reuniu uma colagem de clipes no YouTube ao som extraído do manuseio de um controle de videogame, Alexandre Kassin e Marcelo Camelo conversaram sobre música como a tentativa de expandir as possibilidades da linguagem. “Proponho que o Rio seja líder na discussão sobre ilegalidade no mundo da música”, sugeriu Kassin.


RIO, PRÓXIMO CAPÍTULO

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga escolheu para sua fala, um pouco reticente, enfatizar três aspectos da cidade que precisam de atenção urgente: limpeza, cultura e engajamento da sociedade civil. “O Rio tem a vocação para se posicionar como a capital verde do Brasil, talvez do mundo”, vislumbra o economista.
Os ‘Cariocas Empolgados’, criadores do ‘Queremos’, foram representados por Bruno Natal. Ele definiu a mobilização, matéria-prima da ferramenta de eventos, como o equilíbrio entre engajamento e recompensa. “A internet é um catalizador. Só dá certo porque é uma replicação do comportamento humano fora da web. Se podemos na música, podemos mais”, conclamou.

O economista André Urani encerrou o dia falando sobre a necessidade de os cariocas “reconhecerem a queda”, se referindo à perda da identidade do Rio, e se livrarem da “doença mental” que é a nostalgia dos “anos dourados”. O pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) lembrou o superfaturamento das obras dos Jogos Pan-Americanos e da Cidade da Música, mas, segundo ele, apesar de tudo "o Rio está arregaçando as mangas".
 


 
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