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19/9/2011

CICLO COMUNICAR ECONOMIA CRIATIVA

Inflação da criatividade

Henrique Santos

  
 
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Henrique Santos é planner da agência Rae,MP

A criatividade está se tornando um bem raro. Tantas inovações tecnológicas, econômicas e socioculturais em um curto espaço de tempo acabam por dar a sensação de que as ideias originais e inusitadas já foram todas concebidas – que o digam os especialistas em Naming e em registros de domínios da Internet, que já enfrentam a dificuldade de dar nomes originais a produtos, marcas e empresas. A capacidade de ser original e de encontrar novas saídas na agressiva economia criativa é uma qualidade valorizada enormemente em qualquer empresa.

Contudo, como todo bem, a criatividade flui pelo espaço geográfico exatamente como qualquer moeda, seguindo a já conhecida lógica de oferta e demanda. Empresas de vários portes consomem criatividade e inovação em todas as etapas de produção e entrega do produto, o que gera demanda constante por criatividade, demanda esta que interage com uma oferta diária de produtos e profissionais com suas pequenas (ou falsas) inovações e capacidades criativas. Ou seja, produção e consumo constantes de criatividade, seja genuína ou falsa.

Em meio a esta insegurança sobre quem ou o quê realmente possui criatividade e inovação, os bens que comprovadamente são inovadores se percebem supervalorizados – profissionais exigem salários absurdos, produtos superam de longe seu custo estimado etc. Surge então uma inevitável inflação: nessa criatividade destrutiva, o termo ‘inovador’ projeta a sensação de obsolescência na concorrência, gerando um círculo vicioso de supervalorização e desvalorização constante. Combater esta inflação de criatividade é muito difícil, por vezes exigindo medidas autoritárias que causam enormes prejuízos antes de atingir a estabilidade.

Uma possível solução seria elevar a exigência na percepção do ROI por criatividade, filtrando com muito mais facilidade o que é ‘falsa inovação’ e o que é inovação tangível. Esta medida, porém, desvaloriza de forma generalizada a inovação e a criatividade, refinando a percepção sobre o real peso desses conceitos em produtos, profissionais e empresas. Porém, esta solução subestima a faixa das ‘médias inovações’, relegando produtos, ações e profissionais medianamente criativos a um estrato inferior, o que, consequentemente, resultará na quebra econômica de diversas empresas que ofereçam menos soluções exigido pelo novo padrão imposto pela revisão desse ROI.

Seja nos campos da comunicação social, das artes literárias, audiovisuais e performáticas, dos produtos culturais e interativos, da moda ou da pesquisa & desenvolvimento, esta demanda excessiva por inovação e criatividade nas economias criativas está perdendo o controle paulatinamente, estereotipando esses termos. Ou voltamos a olhar criticamente para estes conceitos ou, em breve, não serão nada mais que palavras vagas em currículos e fichas técnicas.


Henrique Santos é planner da agência Rae,MP. Publicitário graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduado em Globalização e Cultura pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, atua também como cool hunter e presentation designer da agência Rae,MP, além de ser professor voluntário de História em ONGs educacionais e de Publicidade e Marketing em curso EAD superior pela UNICID.


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