André Bürger
Parafraseando o cineasta brasileiro Glauber Rocha, hoje, com um celular na mão e uma ideia na cabeça, é possível produzir os mais diferentes tipos de fotos. A novidade são os aplicativos que possibilitam compartilhar e, principalmente, editar com facilidade fotos nos próprios smartphones. Um desses programas, que por integrar recursos de rede social vem fazendo grande sucesso, é o Instagram.
Criado pelo brasileiro Mike Krieger e pelo americano Kevin Systrom, o aplicativo para iPhone foi lançado em outubro de 2010 e, com menos de um ano, já possui mais de sete milhões de instagrammers (como os usuários são chamados) em todo o mundo. O Brasil está entre os quatro países com mais adeptos, os outros são Estados Unidos, Japão e Inglaterra. Segundo dados oficiais, mais de 300 mil fotos são publicadas diariamente.
Por enquanto, o aplicativo gratuito está disponível para iPod, iPhone e iPad, todos da Apple, em nove línguas. Há rumores que ainda este ano o Instagram seja produzido para a plataforma Android. Mas o que diferencia o app de sites como o Fotolog ou o Flickr, usados tanto por profissionais quanto por amadores?
Para o fotógrafo André Gardenberg, o Instagram tem um estilo mais referencial, pois o bate-papo entre usuários e os comentários acabam ganhando espaço secundário. “Acredito que assim as fotos ganham seu valor devido, já que se trata de um aplicativo de fotografia. Com o tempo, o Flickr, por exemplo, tornou-se um espaço que não estava mais me agradando tanto assim”, declarou. “Entretanto, todos os workshops que realizo, continuo divulgando também no Flickr.”
Apesar de não usar filtros para fotografar no dia a dia de trabalho, Gardenberg aprovou os efeitos proporcionados pelos recursos do Instagram. Por sinal, esse é um de seus grandes atrativos e pode transformar fotos opacas em belíssimas imagens. “O ritmo corrido de um fotógrafo profissional não permite que ele fique trabalhando na hora do clique os efeitos das fotografias. Para mim, especificamente, o aplicativo funciona até como uma brincadeira”, comentou. “Acho que a plataforma facilita a divulgação de trabalhos de artistas em geral.”
Na web, o Instagram também tem gerado discussões inclusive sobre seu real propósito. Em recente artigo, Mat Honan, repórter sênior do site Gizmodo defendeu que o aplicativo deveria ser usado para publicação de fotos instantâneas e não de imagens trabalhadas pelos 11 filtros que o app disponibiliza. “It is, after all, Instagram, not Latergram”, decretou, fazendo um jogo com a palavra ‘later’, que em inglês significa ‘mais tarde’.
Hashtags variadas
Cada um usa o aplicativo como preferir. Além do espaço para títulos, comentários e marcação por geolocalização, há também a possibilidade de sinalizar as fotos com variadas hashtags. Uma delas é o #SundayGraffiti, criada recentemente por Gardenberg para compartilhar fotos de grafites urbanos. A proposta é que as pessoas fotografem durante a semana e publiquem e marquem suas fotos aos domingos. “Normalmente, esse dia tem um caráter cinzento que promete, para o dia seguinte, uma nova semana de trabalho. Propus que os usuários colorissem seus murais com fotos de grafites de suas cidades”, conta. O fotógrafo criou o projeto de maneira despretensiosa. “As pessoas estão aderindo aos poucos. Vou convidando sem expectativas.”
Uma iniciativa que tem feito grande sucesso é a criada pelo instagrammer Josh Johnson. Quase todo dia, seus 57.858 seguidores são desafiados a publicar uma foto temática. Semana passada a proposta era divulgar registros em tons de amarelo, por exemplo. Seis horas após seu lançamento, a hashtag #jj_forum_0169 já havia registrado mais de 3.622 imagens dos mais diferentes objetos e cenários. Essa é mais uma prova do potencial de divulgação entre os usuários da rede.
Ações empresariais
Pensando nessas tendências, diversas companhias já estão usando o Instagram para divulgar seus produtos e se relacionar com seus consumidores. Levi’s, Starbucks, Redbull, Guggi, e até o canal de TV americano ABC, estão presentes na rede. Muitas delas realizando, inclusive, ações promocionais. É o caso da construtora brasileira Cyrela, que em julho lançou a campanha ‘Decora minha casa’, visando associar sua marca a conceitos como ‘aconchego’ e ‘casa própria’. A proposta era que os usuários divulgassem uma foto mostrando o espaço da casa que mais refletisse sua personalidade, sempre usando a tag #DecoraMinhaCasa, como explicou Maurício Moreira, diretor de planejamento da TV1.com, agência responsável pela ação.
A foto mais votada recebeu como premiação R$10 mil em móveis e um projeto de decoração de um escritório de arquitetura. Para Maurício, apesar de o Instagram ainda ser pouco conhecido no país, a plataforma foi escolhida para aproximar a marca da construtora de atributos como inovação. “Não pensamos na campanha como uma forma de alavancar vendas. Esse não é nosso objetivo principal. Nosso foco é o reforço de branding”, esclareceu.