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Reportagens

19/9/2011

CICLO COMUNICAR ECONOMIA CRIATIVA

Ponto Cine: o cinema que respira novos ares

André Bürger

  
 
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Adaílton Medeiros é diretor executivo do Ponto Cine

Guadalupe é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro que, segundo Adaílton Medeiros, diretor executivo do Ponto Cine, “só aparecia nas páginas policiais”. Hoje, graças a essa sala de cinema com 76 lugares, tecnologia digital de ponta, programação de filmes brasileiros e preços populares, a região é destaque, mas nos cadernos de cultura. Desde 2006, a iniciativa de inclusão audiovisual tem contribuído com arte para o desenvolvimento econômico e social da região. “Nosso foco era o subúrbio. Fomos convidados para montar uma sala no Shopping Guadalupe após experiências bem sucedidas com o projeto Cinema BR em Movimento”, relembra Adaílton, o agitador cultural à frente do Ponto Cine, o maior exibidor de filmes brasileiros no país em número de títulos e dias e de exibição. (Confira a primeira e a segunda parte da entrevista em vídeo)

Até então não havia cinema na região. A ideia era criar um espaço, além do Centro e Zona Sul, para receber as pessoas que, mesmo ser saber, estavam ávidas por filmes. ‘O povo sabe o que quer, mas quer também o que não sabe’, Adaílton parafraseia Gilberto Gil. Como resultado, registram-se vários indicativos da melhoria da qualidade de vida local.

Consequentemente, os imóveis ganharam valor. Todas as lojas do shopping foram ocupadas - eram apenas duas quando o Ponto Cine se instalou - e aumentou o sentimento de pertencimento, expresso em um comportamento curioso: "As pessoas passaram a adotar o nome do ‘Ponto’, criando o ‘Ponto Lanches’, por exemplo, e outras variações", observa Adaílton.

“Em uma das exibições durante o Cinema BR em Movimento, em 2004, vieram mais de 800 pessoas no shopping”, relembra. “Ao fazer contato com a RioFilme, eles me chamaram para ser parceiro de um projeto de salas digitais e optamos por um cinema barato que coubesse no bolso das pessoas”, explica.

O suporte digital apresenta vantagens: não é necessário pagar seguro pelos rolos de filme nem pelo transporte. Sem a película, árvores são poupadas e a emissão de gás carbônico no ambiente e a produção de resíduos químicos, reduzidas. “Somos o primeiro cinema da América Latina com o selo de Carbon Free, o certificado de compensação de carbono”, orgulha-se.
 

A questão do distribuidor e do produtor

O Ponto Cine conta com vários patrocinadores e apoiadores, entre eles a Petrobras, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Vale. Segundo Adaílton, o patrocinador do cinema tem que agregar valor em toda cadeia cinematográfica. “Em 2010, passamos a ter como parceiro o ONS. Foi a primeira vez que um patrocinador nos procurou. Isso é um carimbo de reconhecimento da empresa. Quando falamos desse modelo, é importante lembrar que não vivemos apenas do ingresso. É um conjunto de produtos que oferecemos ao público.”

O Ponto Cine também tem a missão de difundir o cinema brasileiro e formar sua plateia. Desde a inauguração, há cinco anos, quarenta mil estudantes conheceram a sala, que já ultrapassou a marca dos cem mil espectadores. As potencialidades do cinema como ferramenta de comunicação e educação são muitas, entretanto, ainda pouco exploradas no Brasil. “Quando falamos de formação de plateia, acho que estamos num caminho meio torto. É muito difícil fazer isso onde não são produzidos filmes infantis. Muitos que hoje trabalham com cinema tiveram esse interesse despertado pelos filmes dos Trapalhões, por exemplo. Precisamos de filmes para crianças. Por outro lado, o cinema precisa passar pela escola. Não como prioridade; é preciso buscar o prazer”, acredita Adaílton.

Os patrocinadores representam um papel importante na viabilização econômica do negócio, mas também em sua sustentabilidade como um todo. “Criamos cinéfilos e proporcionamos cinema, cultura e educação. Por isso, o Ponto Cine já é sustentável, e o patrocinador reconhece isso.” As vendas da bilheteria, pipoca e doces já são suficientes para bancar toda a estrutura do cinema. “Em 2010, tivemos a maior taxa de ocupação do Brasil. Há épocas em que colocamos até sessões extras. O cinema tem que ter um preço razoável para que todos possam frequentá-lo”, ensina Adaílton.


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