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Reportagens

09/04/2012

CULTURA

Os livros digitais na pesquisa 'Retratos da Leitura no Brasil'

Christina Lima

  
 
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Imagem conceitual de livros saindo de um e-reader

Além de divulgar números desoladores sobre o comportamento do leitor no país como o fato de os brasileiros lerem apenas 2,1 livros por ano e 75% da população nunca ter pisado em uma biblioteca na vida, a pesquisa 'Retratos da Leitura no Brasil' também revelou pela primeira vez dados sobre o hábito de ler livros digitais.

A 3ª edição do estudo elaborado pelo Instituto Pró-Livro, que ouviu 5.012 pessoas entre 11 de junho e 3 de julho de 2011, aponta que os e-books ainda não fazem parte da nossa realidade: a penetração soma 5% dos entrevistados, ou seja, 9,5 milhões de adeptos. Já 70% nunca ouviram falar dos livros eletrônicos; desses, 25% representam pessoas que não ouviram falar, mas, em contrapartida, gostariam de conhecer.

A maioria dos leitores de e-books é da classe A, tem nível superior completo e idade de 18 a 24 anos (12%). Entre 11 e 13 anos registrou-se o percentual de 5%; entre os consultados de 14 a 17 anos o índice ficou em 7%. De acordo com a pesquisa, 52% dos leitores são mulheres e 48% homens. Mais de 80% baixou um livro gratuitamente pela web e, desse grupo, 38% baixaram cópias ilegais; apenas 13% pagaram pelo download.

A dificuldade de adesão aos e-books têm relação com as estatísticas de uso da internet no Brasil: entre os entrevistados, 54% não acessam a internet, 7% afirmam acessar raramente e 6% uma vez por semana. Entre os que acessam a web, apenas 7% utilizam para baixar ou ler livros.

Sobre a convivência entre livros digitais e impressos, segundo a pesquisa, 52% acreditam que os livros impressos nunca vão acabar e coexistirão pacificamente com os livros digitais, enquanto 17% pensam que os impressos vão continuar, mas em pequenas edições. Já 7% afirmam que é uma questão de tempo para que os livros no papel desapareçam; e outros 7% acham que os digitais serão sempre para poucos interessados.

Esses números não desanimam Karine Pansa, pelo contrário. A presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), instituição organizadora do 3º Congresso Internacional do Livro Digital, que será realizado nos dias 10 e 11 de maio, em São Paulo, não considera o número absoluto de 9,5 milhões de pessoas em contato com e-books inexpressivo. "A pesquisa indica que 64% do público consultado concorda que ler é importante e pode gerar uma melhoria socioeconômica. Meu otimismo vem da tendência positiva expressa pelos 25% que disseram não conhecer, mas estão interessados".

Para o desenvolvimento do mercado de e-books é preciso internet, preço acessível e conteúdo a ser disponibilizado, e Karine aposta em parte no Ministério da Educação que planeja distribuir no segundo semestre de 2012 tablets para 600 mil professores. "O equipamento já vai chegar para quem tem acesso à internet e nessa conjuntura o quadro é estimulante. Vale lembrar que as estatísticas brasileiras refletem a falta de maturidade da nossa população em relação à leitura se comprada à Europa e aos Estados Unidos. Ainda temos um período de crescimento pela frente".

Em sua 3ª edição, momento que Karine considera de "aquecimento de motores", o Congresso Internacional CBL do Livro Digital pretende desmistificar visões equivocadas que o mercado estava tentando formar para os editores brasileiros. "Vamos mostrar experiências bem-sucedidas aqui e no exterior. Entre os convidados está Young Chi, presidente da International Publishers Association, que vai trazer novidades em nível mundial. Um representante da Amazon também virá para contar como foi o processo de adaptação desse mercado nos Estados Unidos". 


Enquanto isso, nos EUA

Uma recente pesquisa do Pew Research Center's Internet & American Life Project, divulgada em 4 de abril, aponta que um quinto dos adultos norte-americanos (21%) disseram em fevereiro que leram um e-book durante 2011. Em meados de dezembro de 2011, essa porcentagem era de 17%.

Segundo o estudo 'The rise of e-reading', a ascensão dos e-books na cultura americana é parte da mudança do impresso para o digital. Considerando uma definição mais ampla do conteúdo eletrônico - que inclui revistas, jornais, artigos em formato digital lidos em livros eletrônicos, computador, tablet ou telefone celular - 43% dos norte-americanos de 16 anos ou mais dizem ter lido um livro eletrônico no ano passado.

Aqueles que mergulharam de cabeça na leitura de e-livros são os leitores que já gostam de ler em todos os formatos: 88% dos que leram e-books nos últimos 12 meses também leram livros impressos. Eles lêem mais frequentemente por uma série de razões: por prazer, pesquisa, para saber sobre eventos atuais, para o trabalho ou para escola. São ainda mais propensos a ter comprado seu livro mais recente - e não pego emprestado - e a comprar livros em geral, depois de ter pesquisado on-line.

 


 
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