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21/6/2012

SUSTENTABILIDADE

Ban Ki-moon esperava um documento mais ambicioso

Sônia Araripe e Antônio Carlos Teixeira, de Plurale em site

  
 
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Ban Ki-moon é secretário geral da ONU/Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom - ABr

O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu apoio dos líderes globais ao documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (a Rio+20) que irão assinar nesta sexta-feira e destacou que este é apenas um começo de ações de longo prazo.

Em entrevista coletiva, ele frisou a urgência da crise atual. "Boas intenções e palavras não foram suficientes. A agenda da Rio+20 é urgente e abrangente. A natureza não espera e não negocia", advertiu. Ele reforçou o apelo aos líderes para que avancem no processo de transição para a economia sustentável.

Diante de uma pergunta de um jornalista brasileiro - sobre críticas de ONGs ao documento "O Futuro que Nós Queremos" de que seria apenas uma carta de intenções-, o secretário geral admitiu que esperava também um documento final "mais corajoso e ambicioso". Mas reforçou o caráter diplomático de uma Conferência como a Rio+20: "É preciso levar em conta que este é um processo delicado de negociação para um documento final."

Ban agradeceu a liderança da presidenta brasileira Dilma Rousseff, mas chamou a atenção para que os líderes mundiais sigam num caminho de prosperidade e desenvolvimento sustentável, e na defesa do meio ambiente. "Os líderes mundiais devem mandar essa mensagem ao mundo", enfatizou na coletiva.

De acordo com o secretário geral da ONU, o documento aprovado ontem pelos negociadores leva em consideração 46 temas importantes, entre eles, combate à pobreza, igualdade de gê-neros, água, cidades, oceanos, cidadania, transporte, entre outros. Ele se mostrou esperançoso sobre os entendimentos em relação a um desenvolvimento sustentável que os líderes mundiais possam ter até o final da conferência. "Esperamos que a Rio+20 tenha um compromisso que nos coloque no caminho para o futuro sustentável", assinalou.

O secretário-geral da ONU elogiou o Brasil e disse que a Rio+20 é uma conferência carregada de simbolismo pelo fato de a cidade ter sediado a conferência de 1992, quando o tema do desenvolvimento sustentável começou a ser colocado em discussão em nível mundial. Lembrou que, na época da divulgação da Agenda 21 muitos não chegaram a levar a sério e continuaram mantendo o mesmo padrão de consumo. Por isso, frisou Ban, é tão relevante o papel dos líderes globais que podem tomar ações que irão concretizar e confirmar as recomendações assinadas aqui na Rio+20.

Além disso, Ban ressaltou que os líderes devem seguir o exemplo do Brasil, por ser uma nação em crescimento, com uma grande população, enorme potencial e grandes desafios. "Por isso que a Rio+20 é tão importante. E os líderes que estão aqui devem demonstrar seu com-promisso político, seguir o exemplo do Brasil, nos bons exemplos ou nos desafios, se inspirar e aprender com ele."

Sobre a importância da conferência, Ban disse que Rio+20 servirá como um catalisador de um movimento global de mudança e que é preciso avançar mais do que apenas proferir palavras. Segundo ele, o momento é de o interesse global ser mais importante que os interesses nacionais. "A Rio+20 já é um marco. O meu recado para os líderes mundiais é que o desenvolvimento sustentável veio para ficar. Esse será o legado da Rio+20". Ban disse ainda que a conferência não é o fim, mas o início de muitas negociações que virão. "O importante é que os líderes mundiais demonstrem compromisso e vontade política for-te."

Um dos temas ressaltados por Ban foi a questão do acesso às energias renováveis. "Precisamos dobrar a oferta de energia renovável no mix de energias universais". Segundo ele, 50 países estão trabalhando para desenvolver projetos de energia renovável em seus planos nacionais e 100 organizações internacionais estão dando apoio às discussões so-bre utilização de energias sustentáveis. "10 bilhões de dólares já foram comprometidos nesse sentido."

Esse texto foi anteriormente publicado em Plurale

 

O recuo de Ban Ki-moon

Na quinta-feira, 21 de junho, o secretário-geral das Nações Unidas, porém, voltou atrás e numa coletiva de imprensa convocada às pressas disse que considerava o texto final "ambicioso", além de "amplo e prático". Ele fez questão de elogiar a presidente Dilma Rousseff e os diplomatas brasileiros e os defendeu das críticas ao documento conclusivo.

O chefe da delegação do Brasil, embaixador André Corrêa do Lago, um dos principais negociadores do documento final da conferência, condenou a cobrança de líderes políticos por um texto mais completo. Para ele, os líderes não podem fazer cobranças porque seus negociadores participaram de todas as reuniões e concordaram com a redação do texto finalizada.


Com informações da Agência Brasil.


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