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29/6/2012

GESTÃO

Metodologia para mudar

Carlos Nepomuceno

  
 
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Carlos Nepomuceno é consultor empresarial e professor

Não adianta muito teorizar sobre mudanças. Ou melhor, todas as teorias sobre mudanças (ou sobre qualquer coisa) tem que desaguar em uma metodologia. E essa metodologia precisa ser aplicada.

Claro, que passamos pela filosofia sobre as teorias, mas o que fica, no final de tudo, é quando alguém consegue criar um método eficaz para qualquer coisa e, assim, ajudar as pessoas a mudar de 'a' para 'b', ou simplesmente do ponto atual para o ponto futuro. Partindo do princípio que o ponto atual não está satisfatório.

Tenho tentado praticar em sala de aula tal visão, da mudança constante, com relativo sucesso ao passar a visão do mundo 2.0. Porém, o mundo 2.0 ainda é algo aterrador e começo a focar no estudo da mudança em si - qualquer mudança, que pode ser a do mundo 2.0. É bom, aliás, quando se pensar em mudanças organizacionais ter em mente que essa para o mundo 2.0 tem que fazer parte do cardápio.

Estou, assim, começando a mirar na própria gestão de mudanças, qualquer uma, a partir de um certo desconforto. Quando falamos em inovação, de fato, estamos falando na dificuldade que temos de mudar. Assim, o DNA de qualquer projeto de inovação começa pelo entendimento e um método eficaz para mudar que podemos chamar de forma genérica de gestão de mudança.

Foi isso que o estudo do mundo 2.0 e a tentativa de levar adiante essa discussão frutificou. Começo a me articular para aprofundar o tema de maneira geral. Nessa linha, temos algumas regras humanas que juntam diversos autores diferentes:

1 - gostamos da rotina, pois nossos hábitos economizam tempo e energia;

2 - porém, o mundo é mutante;

3 - quanto mais mutante, mais haverá um choque entre esse instinto nato de "não mudar" e a velocidade do mundo;

4 - assim, por tendência, não estamos preparados para grandes mudanças, às vezes, nem para as pequenas;

5 - só que mudanças fazem parte da vida, do ambiente e, na verdade, somos pouco afeitos a um mundo assim e, por isso, somos tão conservadores;

6 - quando a vida nos demonstra fatos concretos: fim de emprego, relações, perdas de pessoas queridas, nossa mundo cai;

7 - não por que o mundo caiu, mas cai a nossa ilusão do mundo e há dois choques: um do fato em si e outro da visão que tínhamos do mundo, que precisa mudar, tudo ao mesmo tempo;

8 - tendemos a levar mudanças para o lado pessoal, para a culpa de outras pessoas, precisamos colocar versões nos fatos para continuar a deixar o piloto-automático nos levar;

9 - o interessante é que o ser humano do século XX tinha uma dose de 'pilotice' automática, que nós temos que alterar, a taxa de não querer mudar não pode ser tão alta, pois iremos sofrer muito mais do que nossos antepassados;

10 - essa adaptação para um mundo mutante é algo que deve nos pegar de cheio e precisamos criar novos métodos para lidar com tal alteração.

Que dizes?

Este artigo foi publicado anteriormente no Nepôst - Rascunhos compartilhados.


Carlos Nepomuceno é jornalista, escritor, pesquisador, consultor empresarial e professor da UFRJ, Senac e Facha. Pode ser encontrado no Twitter @cnepomuceno


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