Priscila Duarte
No dia 13 de março, a Thomson Reuters divulgou dois novos relatórios do seu estudo anual 'State of Innovation', sobre inovação global e tendências de proteção de marcas. O 'Twelve Key Technology Areas and Their States of Innovation' apresenta doze áreas-chave de tecnologia e seus estados de inovação, e o 'Trademark Report: Trademark Activity, Evolution and Important Changes', relatório que destaca as atividades de marca registrada, a evolução e as importantes mudanças no segmento.
Elaboradas pela Thomson Reuters Derwent Patents Index, as conclusões dos relatórios giraram em torno do rastreamento de patentes e de atividades de registro de marcas em áreas tecnológicas essenciais e em economias ao redor do mundo. O estudo destacou alguns pontos, como o aumento no volume de patentes de eletrodomésticos e instrumentos médicos, que cresceu 12% entre os anos de 2010 e 2011, com um total de 41.189 e 58.592 invenções, respectivamente. O segundo setor de maior crescimento foi o de Telecomunicações, com aumento de 5%.
Na área automobilística, destaque para os veículos que utilizam tecnologias de energia alternativa, uma tendência global. De acordo com o levantamento, a maior fonte da indústria de automóveis, quando o assunto são novas patentes, foram os veículos alternativos motorizados, com 19.078 patentes depositadas globalmente em 2011: um aumento de 20% se comparado a 2010. Os maiores cessionários (que exercem o direito) de patentes no mercado mundial foram a Toyota (Ásia), Daimler (Europa) e General Motors (Estados Unidos).
Em 2011, o campo da biotecnologia passou a integrar a lista das doze áreas essencias. Os pesquisadores identificaram o setor como uma área de forte crescimento. Mais de 25 mil patentes foram apresentadas em todo o mundo no ano passado em categorias que incluem a descoberta de drogas, tratamento do câncer, o diagnóstico de doenças e plantas geneticamente modificadas.
A China continua a liderar o grupo de nações desenvolvidas e emergentes que considera a atividade de proteção e registro da marca como significativa. Apesar de um tempo de atraso na comunicação de dados chinesa, mais de 600 mil marcas foram registradas no país em 2011, superando em muito os níveis observados nos Estados Unidos, Europa, Brasil, Índia e Coreia.
Um retrato otimista do Brasil
Ainda sobre a atividade de patentes, em um outro estudo recém-divulgado pela Thomson Reuters, o 'The Grown-Up BRIC: Innovation & Brand Expansion in Brazil', o Brasil foi considerado um campo fértil para inovações. O relatório destacou os fatores que contribuem para o crescimento do país, os principais atores e as leis que regem as marcas no mercado. Entre as motivações estão a rápida expansão da classe média e o complexo quadro de propriedade intelectual, que vêm criando uma série oportunidades e desafios para as empresas.
O documento acompanha patentes e a atividade de registro de marca, assim como o rendimento da literatura científica, na última década até os atuais níveis de referência de inovação e expansão de marca. Segundo o levantamento, o número total de invenções exclusivas emitidas em patentes publicadas e patentes concedidas no Brasil cresceu 64% de 2001 a 2010. Entre 1990 e 2010, foi registrado um crescimento recorde no pedido de marcas, com um aumento de quase 200%, em sua maioria nas áreas de: publicidade/gestão de negócios; vestuário/calçados; hotéis e restaurantes e beleza/médico.
O estudo mostrou que 27% de todas as patentes no Brasil são de propriedade de universidades, um resultado direto das medidas tomadas pelo governo brasileiro para melhorar a cooperação entre Academia e indústria. Destaque para a produção literária científica. O Brasil tornou-se o 13º maior produtor de pesquisas científicas no mundo e lidera na produção de novas pesquisas na América Latina, desde 2000.
Para David Brown, presidente da IP Solutions Business of Thomson Reuters, em entrevista ao 'The New York Times', poucas economias emergentes possuem a combinação única do Brasil de ter um crescimento estável e um bem estabelecido sistema de propriedade intelectual. "Nossa análise revela que o Brasil é um país maduro, com oportunidade de mercado para a comunidade internacional. Seu sistema de propriedade intelectual é estável e, relativo à proteção de marcas, pode tornar-se uma opção viável para empresas que procuram expandir globalmente", avalia.