André Bürger
Até 27 de maio, jornalistas, cineastas e produtores voltam suas atenções para o Festival de Cannes, na França, um dos eventos mais prestigiados pelo meio cinematográfico. Um dos destaques da 65ª edição do evento é o filme 'A música segundo Antônio Carlos Jobim', exibido no último dia 22. Dirigido por Nelson Pereira dos Santos, o documentário traz registros de grandes cantores interpretando a obra de Tom Jobim. Este ano, o Brasil também estará representado por Cacá Diegues. O diretor de 'Bye Bye Brasil' e 'Cinco Vezes Favela' foi escolhido para presidir o júri da 'Caméra D'Or', que escolherá o diretor revelação.
Nesses quatro anos, a Sétima Arte e seus diferentes aspectos já foram pauta no Nós da Comunicação. Em recente entrevista, o jornalista Marcelo Janot falou sobre a importância da trilha sonora para a narrativa de um filme. "Muitas vezes, a música é tão bem alinhada ao que se passa na tela que o espectador se vê envolvido naquele contexto sem perceber; especialmente no caso da trilha orquestral", contextualizou.
O crítico de cinema citou compositores como Max Steiner (E o Vento Levou), John Williams (Guerra nas Estrelas) e Howard Shore (O Senhor dos Anéis) que contribuíram para tornar inesquecíveis essas películas. "A música é importante para emocionar. No caso de uma produção sem diálogos como 'O Artista' a música é fundamental pelo suporte na narrativa", comentou sobre o filme vencedor do Oscar em 2012.
Se na conversa com Janot abordamos mais a questão artística do cinema, na entrevista com Manoel Marcondes Neto, doutor em comunicação e professor adjunto da Faculdade de Administração e Finanças da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o tema foi o mercado cultural.
Assunto de seu recém-lançado livro 'Economia da Cultura', Marcondes falou sobre políticas públicas e as leis de incentivo nas áreas de cinema, museus, música e teatro e sobre a inconstância do setor cultural no Brasil. "O mercado está dependente desse apoio público. É uma muleta, infelizmente. Acho um absurdo o Ministério da Cultura chamar de mecenato algo que é dinheiro do público", criticou.
Outra forma bastante recorrente das empresas investirem no setor é por meio de ações de merchandising. Apesar de não ser nenhuma novidade - a prática é usada desde o final do século XIX pelos irmãos Lumière - apenas nos últimos anos, a inserção publicitária passou a ser pensada já nos primeiros tratamentos do roteiro.
No filme 'Amor sem escalas' (Up in the Air, 2009), por exemplo, o personagem de George Clooney é um passageiro assíduo da American Airlines. Sua meta é acumular milhões de milhas e ganhar o Concierge Key, um cartão da companhia aérea para clientes exclusivos. Apesar de trazer investimentos, ações de merchandising têm deixado alguns roteiristas receosos. Confira as opiniões na reportagem "A presença cada vez mais forte das marcas no cinema".
De Hollywood, na Califórnia, para Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro, um dos destaques do Ciclo Comunicar Economia Criativa, foi a entrevista em vídeo com Adaílton Medeiros, diretor-executivo do Ponto Cine. Para o produtor, o potencial do cinema como ferramenta de educação ainda é pouco explorado no Brasil. "Quando falamos de formação de plateia, acho que estamos num caminho meio torto. É muito difícil fazer isso onde não são produzidos filmes infantis. Muitos que hoje trabalham com cinema tiveram esse interesse despertado pelos filmes dos Trapalhões", analisou Medeiros (Veja a reportagem sobre o Ponto Cine). Com 76 lugares e tecnologia de ponta, a sala oferece uma programação de filmes brasileiros a preços populares e tornou-se uma importante iniciativa de inclusão audiovisual na região, que até então não tinha cinema. "Criamos cinéfilos e proporcionamos cinema, cultura e educação. Por isso, o Ponto Cine já é sustentável", entusiasma-se.
'Cinema é a maior diversão' já dizia o empresário cinematográfico Luiz Severiano Ribeiro. Entretanto, as histórias projetadas na tela grande, além de entreter, são também uma ferramenta para reflexão por gestores de diferentes empresas. Quem sabe disso é Myrna Silveira Brandão, jornalista e autora dos livros 'Leve seu gerente ao cinema' e 'Luz, câmera, gestão - a arte do cinema na arte de gerir pessoas', ambos da editora Qualitymark. No encontro 'Cinema em T&D', Myrna propôs discutir com a plateia a liderança nas organizações a partir de quatro filmes, que tiveram trechos exibidos no encontro.
Nossos articulistas também colaboraram com análises sobre produções cinematográficas. No artigo, "O filme 'Estômago' e algumas reflexões sobre o consumo alimentar", Flávia Galindo, doutoranda em Ciências Sociais e professora de Marketing na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, propõe ponderações sobre comportamentos do consumidor e o filme dirigido por Marcos Jorge. "O autor revela práticas sociais que pontuam a trajetória do protagonista. São diversos elementos conectados através da comida, que possibilitam interpretar e compreender as motivações e emoções dos personagens", observa.
Já em 'Quando a ficção constrói a realidade?', Luiz Antonio Gaulia, especialista em Comunicação Empresarial e Comunicação para a Sustentabilidade, falou sobre 'Avatar', dirigido por James Cameron, e a vinda do cineasta ao Brasil para manifestar-se contra a construção da usina de Belo Monte. "Com todo respeito à causa (eu concordo que vale a pena chamar a atenção para os riscos de uma obra da envergadura de Belo Monte) pergunto, entretanto o quanto de oportunismo não existe nesse tipo de estratégia de marketing e promoção. Aonde quer chegar o famoso cineasta com todo esse espetáculo - dentro e fora dos cinemas?", questionou.
Nós da Comunicação 23/5/2012 17:24:04
Pessoal, a promoção é no www.twitter.com/noscomunicacao. Basta responder incluindo o link do sorteio: kingo.to/169o
Amina Bawa 23/5/2012 12:33:52
O Pagador de promessas.
Jancilaine Machado Morgado 23/5/2012 12:31:23
O Pagador de promessas.
Analine 23/5/2012 11:37:57
O Pagador de Promessas de Anselmo Duarte em 1962.