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Atuais

28/5/2012

IMPRENSA

Jornalismo investigativo: transformando informações em notícias

André Bürger

  
 
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CONCURSO CULTURAL ABRAJI/ NÓS DA COMUNICAÇÃO

Os três principais eixos temáticos do 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a ser realizado em 12, 13 e 14 de julho, são: jornalismo on-line, megaeventos esportivos e eleições. Dentro das comemorações dos 4 anos do Nós da Comunicação, promovemos um concurso cultural em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Quisemos saber: 'Que pergunta você gostaria de fazer a um convidado do Congresso? E a quem você faria?' A contribuição da leitora Ana Luiza Silva, jornalista de Franca, em São Paulo, foi escolhida e ela irá participar do evento gratuitamente.

Em junho de 2012 faz dez anos que o jornalista Tim Lopes foi assassinado por traficantes do Complexo do Alemão enquanto apurava informações para uma reportagem sobre exploração sexual de jovens e consumo de drogas em bailes funk. No ano anterior, o jornalista já tinha feito uma matéria chamada 'Feira de drogas', que expusera essas práticas ilegais. A partir de uma carta escrita por Lopes, em 1999, seu filho Bruno Quintella resolveu levar para as telas de cinema a trajetória do pai no documentário 'Histórias de Arcanjo' (assista ao trailer). O filme, que já está em fase de produção, traz depoimentos de colegas de profissão como Geneton Moraes Neto, Zuenir Ventura e Arthur Dapieve.

Logo após a morte do jornalista, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) foi criada, como contou Marcelo Moreira, editor-chefe do RJTV 2ª edição, durante um chat do Nós da Comunicação. Para Marcelo, membro da Abraji desde sua fundação, e hoje presidente da entidade, o episódio foi um divisor de águas no Brasil. "Naquele momento, o jornalista perdia o pensamento inocente de que o crachá o protegia de tudo". A partir de então, duas questões da profissão tornaram-se fundamentais: "Estarmos sempre bem preparados para uma matéria considerada de risco e cobrar das autoridades o seu papel", explicou.

Em outra entrevista, Marcelo reafirma a importância de oferecer treinamentos específicos para jornalistas. "O profissional deve se preparar bem para determinados tipos de reportagem", comentou ressaltando a importância de estar consciente de que uma reportagem não vale uma vida.

Infelizmente, ao longo dos anos, a violência contra profissionais da imprensa não cessou nem no Brasil, nem no exterior. Só no México, na última década foram contabilizados 70 assassinatos. (Leia a matéria sobre o tema). De acordo com um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), foram registrados 27 casos de crimes contra jornalistas brasileiros nos últimos meses. Só este ano, foram quatro casos.

Diante desse cenário, o tema será abordado durante o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a ser realizado nos dias 12, 13 e 14 de julho, em São Paulo.
 
Em outro caso recente, dessa vez em 2011, o blogueiro e advogado Ricardo Gama sofreu um atentado perto de sua casa, no Bairro Peixoto, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Como reação, blogueiros e solidários a Gama participaram de manifestações em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual. O advogado é conhecido por publicar críticas a políticos fluminenses. Mesmo após o atentado, Ricardo Gama continua publicando textos até hoje.
 

Pesquisar e apurar

Jornalistas de todo o mundo têm usado os documentos do WikiLeaks como fonte de dados para novas pautas. Em entrevista, Natalia Viana, editora do blog do WikiLeaks no Brasil, falou sobre as parcerias do site com grandes jornais brasileiros. Para a jornalista, se aliar a grandes veículos trouxe credibilidade ao blog. "São jornais que têm uma equipe estruturada, que poderiam se debruçar sobre esses papéis de maneira ordenada, tirando notícias dali. Tem coisas que acho que não são notícias, e eles dão, tem coisas que acho que são, e eles não dão", explicou.

Entretanto, a área de jornalismo de dados não é exclusiva de veículos com grandes estruturas de trabalho. Em artigo publicado recentemente, Simon Rogers, editor do 'The Guardian' fala sobre o assunto.

Em reportagem, o Nós da Comunicação abordou o tema e conversou com profissionais de diferentes veículos, entre eles Daniela Arbex, repórter do jornal 'Tribuna de Minas'. "A minha realidade é muito específica, pois trabalho em um jornal pequeno, mas que tem abraçado causas muito maiores do que ele. Embora precise de tempo, a grande reportagem agrega valor ao jornal, fideliza o leitor e dá credibilidade ao veículo", contou.
 
César Viana, jornalista e colaborador da primeira edição do manual de redação de jornalismo de precisão, também contribuiu com o debate sobre o tema em nosso site. Para o professor da Universidade Federal de Goiás, o 'jornalismo de precisão' - o termo foi usado pela primeira vez em 1973 - é 'um esforço da mídia para se adaptar às mudanças que transformam os espaços de informação'.
 


COMENTÁRIOS( 9 )





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Nós da Comunicação       18/6/2012 19:23:45
Olá, pessoal. A ganhadora do concurso cultural foi Ana Luiza Silva. Parabéns! Por favor envie um e-mail para redacao@nosdacomunicacao.com.br com o assunto 'CONGRESSO DE JORNALISMO INVESTIGATIVO' que a gente conversa sobre os detalhes por lá. Muito obrigado a todos que participaram e até a próxima.

Luís Marcelo Bim Tedesco       14/6/2012 23:33:59
Para o Sérgio Vilas-Boas na palestra "Jornalismo Narrativo". Se ele acha que é possivel adaptar o estilo do jornalismo Literario na internet e ainda utilizar os recursos multimídia?

João Colosalle       4/6/2012 11:59:43
Para Dorrit Harazim (Piauí - Cobertura de mega-eventos esportivos) Na cobertura de eventos esportivos no jornalismo impresso, quase sempre o resultado é o mais importante em uma reportagem. "O que", "Quando", "Onde" e "Quem" são sempre privilegiados em relação ao "Por que" e ao "Como". Histórias como "Rotina de 15 mil braçadas" (da Piauí, edição 21, de sua autoria), sobre o nadador da minha cidade, César Cielo, elevariam a qualidade, a criatividade e o interesse nas reportagens, principalmente, por parte dos jornais diários?

Ana Luiza Silva       30/5/2012 15:29:23
A minha pergunta é para o jornalista Tyndaro Menezes produtor especial da Rede Globo. Como são feitas essas produções investigativas onde você finge ser outra pessoa para conseguir as informações que precisa para o VT?

ISABELLE OLIVEIRA BENTO       30/5/2012 14:37:21
Para Eduardo Faustini - Qual o limite ou até onde o repórter investigativo pode ir? Onde mora o perigo?

Juliana Talala       30/5/2012 14:24:51
ELIANE BRUM - Em 'O olho da rua' você revela: "Sou alguém que tenta viver duvidando o tempo todo das certezas, das minhas e das alheias". Você acredita que é a incerteza que estimula o desenvolvimento do jornalismo investigativo no Brasil?

Viviane Sant' Anna       29/5/2012 17:15:14
André Trigueiro - Eleições, como a imprensa pode inovar nas transmissões?

Prado Jr.       29/5/2012 16:52:04
Desculpe, o correto é Juca Kfouri, mas a pergunta permanece

Prado Jr.       29/5/2012 16:50:27
Joca Kfouri - Como a imprensa brasileira pode exercer uma pressão sobre o poder público para que não haja nenhum desvio de verbas e, por consequência, atraso nas obras para a Copa de 2014?