Christina Lima
De acordo com a pesquisa PwC's Global Entertainment and Media Outlook 2012-2016, as empresas de mídia, agências de publicidade e anunciantes passaram de fase, especialmente na área digital. Para a consultoria internacional, que reuniu dados de 13 setores de mídia e entretenimento em 48 países, a indústria evoluiu, já compreende muito bem as oportunidades e hoje se aproxima do 'fim do começo digital'. O desafio agora é a implantação dessas estratégias digitais. Conforme declarou Marcel Fenez, gerente de Entertainment & Media da PwC, "as empresas de entretenimento e meios de comunicação firmaram um compromisso com um futuro digital e agora estão se esforçando para fazer as mudanças necessárias em seus produtos, distribuição e organizações."
Crescimento verde e amarelo
A projeção da Price Waterhouse Coopers indica o Brasil como um dos países com maior potencial de crescimento no segmento de mídia e entretenimento (M&E) nos próximos cinco anos, superando Canadá e Itália e se tornado o sétimo maior mercado do mundo. Já o mais importante mercado da América Latina, o país responde por gastos de 39 bilhões de dólares. A Copa do Mundo será responsável por um aumento de 19,8% nos gastos em publicidade da região em 2014 - seguido de queda de 3,2% em 2015. Com os Jogos Olímpicos, no ano seguinte, a região terá novo crescimento de 15,8% em publicidade.
Oportunidades para as agências de comunicação
O estudo indica que a incerteza dos últimos anos em relação ao digital está dando lugar a um foco maior na identificação, seleção e execução dos modelos de negócio, estruturas organizacionais e habilidades para aproveitar os novos comportamentos de consumo. E isso tudo é uma boa notícia para as agências criativas e de mídia.
Segundo a PwC, a fusão inovadora de conteúdo, publicidade e análise apresenta uma chance de mudança radical de papéis e nos serviços oferecidos. Hoje, tudo o que as agências fazem tem um componente digital integrado e ainda há um esforço para que os clientes reconheçam a mídia espontânea típica dessas ações.
É, portanto, a hora de as agências atuarem diretamente no marketing digital e como consultoras de marcas, orientando seus clientes com insights sobre oportunidades em torno da agregação de dados, socialização e conteúdo, pois a distinção entre o tradicional e o digital está prestes a desaparecer.
Muitas empresas de mídia desenvolveram o digital como um grupo operacional adjacente, com infraestrutura, soluções e equipe separadas. Mas esse não é o 'novo normal'. Para a PwC, as empresas precisam afastar-se dessa abordagem fragmentada e investir em melhorias em três áreas fundamentais: rentabilidade, reduzindo custos operacionais por meio de plataformas e processos de negócios integrados; escalabilidade, ganhando maior agilidade e flexibilidade para crescer e também em inovação, por meio da automação, integração e talento de seus colaboradores.
Outras projeções globais registradas no estudo
O estudo projeta que o investimento global com mídia e entretenimento vai crescer de 28% em 2011 para 37,5 % em 2016, nesse mesmo ano, os gastos com o digital serão responsáveis por 67% de crescimento da despesa total.
Quando o assunto é música, o investimento mundial em formatos digitais irá ultrapassar a distribuição física em 2015 e atingirá 55% das receitas em 2016. Os videogames on-line e sem fio vão atropelar os de console e PCs já em 2012.
O mundo dos jornais reflete tendências divergentes entre economias mais maduras e em crescimento. Nos Estados Unidos, haverá uma queda acumulada de 43,8% se considerarmos os números desde 2007 até 2016. Em mercados em desenvolvimento como os da Argentina, Indonésia e Índia, o crescimento será significativo em 2016: 11,9%, 11,2% e 9,6%, respectivamente.
Houve mudanças na área de televisão. No ano passado a França passou o Reino Unido e a Alemanha e se tornou o segundo maior mercado de TV por assinatura em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Em 2016, as receitas globais de publicidade em internet móvel serão de 24,5 bilhões dólares, quase igualando o tamanho do mercado de classificados na internet. O mercado chinês vai crescer a uma taxa composta de 68%, atingindo 6,2 bilhões de doláres em 2016, tornando-o o segundo maior mercado do mundo, atrás dos Estados Unidos que gera 9,4 bilhões de doláres.