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28/8/2012

INTERNET

Pierre Lévy: 'A inteligência coletiva não é um objetivo, mas uma forma de resolver problemas'

Christina Lima

  
 
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Pierre Lévy - foto de Samuel Huron

O filósofo da informação Pierre Lévy esteve no Brasil na semana passada para participar do festival de cultura digital R.I.A. (Reflexão, Interação e Ação), no dia 22 de agosto, em São Paulo. O professor do departamento de Comunicação da Universidade de Ottawa (Canadá), estudioso das relações entre internet e sociedade, participou do painel 'A Construção da Cultura Digital - Estética de uma nova sociedade'. O autor dos livros 'Cibercultura' (Ed. 34, 1999) e 'A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço' (Ed. Loyola, 2000) falou sobre os caminhos da internet na contemporaneidade, inteligência coletiva e compartilhamento de conhecimento.

Para Lévy, a inteligência coletiva não é um objetivo, mas sim uma forma de resolver problemas. "Sabemos que temos problemas e nunca haverá uma sociedade livre deles. É uma condição humana, mas também é parte da nossa condição resolver esses problemas. Há muitos professores que criticam a sociedade. Tento assumir um papel diferente, que mostra algo mais adiante, mas que sabemos que naquela direção há esperança", explicou.

Para o filósofo, as novas plataformas coletivas são mais confiáveis do que as tradicionais, porque várias pessoas analisam as informações e contribuem para a construção de conteúdos mais completos. Ele citou a Wikipedia como exemplo. Segundo Lévy, a enciclopédia aberta não é uma fonte, mas sim uma maneira de iniciar uma pesquisa, uma ferramenta que pode dar o rumo certo ao trabalho. "Ainda que não seja escrita por especialistas de cada área, esta plataforma conta com um grande número de colaboradores para checar as informações. Eu disse aos meus alunos que podem usar como início para as pesquisas, como qualquer enciclopédia, mas você não pode copiar o que encontrou. É só o ponto de partida", afirmou.
 
Esse raciocínio também se aplicaria às mídias sociais. "As instituições têm Facebook, Twitter, mas do ponto de vista prático, deveríamos considerar que as pessoas que seguimos ou que nos seguem são atores nesse jogo da comunicação. A rede é a plataforma onde esse jogo acontece, mas não é uma fonte. É muito importante, porque há uma série de fontes dentro dessas mídias, mas não a própria mídia", explicou. "Leciono em uma universidade e uso as mídias em sala de aula. Ensino a maneira correta de usar essas ferramentas para intercâmbio de conhecimento, colocação no mercado etc."

O escritor alerta: "A internet é um espaço público, sem restrições e com seus próprios perigos. É preciso ter muita atenção ao que fazem na internet, porque tudo o que você grava é registrado." Ele comentou as identidades pessoal e profissional na internet e sugere que sejam separadas na web. O escritor lembra que diversas pessoas adotam perfis diferentes para passar informações profissionais e pessoais. "É uma solução para quem quer mais privacidade. Além disso, as pessoas do seu círculo de relacionamento podem seguir um desses perfis de acordo com seu interesse. O que você posta em sua rede social pode se espalhar, e não dá para voltar atrás."

Lévy afirmou ser contra qualquer tipo de censura, quando perguntado sobre um possível controle nas publicações da rede. "O único limite da internet é o respeito à lei e tudo que tem a ver com morte, pedofilia, raiva. Sou contra todo controle político. Tudo que tem a ver com conteúdo de conhecimento, por exemplo, artigos científicos, ou tudo o que foi criado com dinheiro público deveria ser de livre acesso na web, e isso não acontece."

Com informações do Vivoblog e Terra.


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