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Versão para Impressão

Apelo sexual perde espaço na propaganda e na web

Foi-se o tempo em que o sexo era um dos assuntos mais procurados na internet e que bastava a publicidade erotizar a promoção de qualquer produto para ele sumir das prateleiras. Sexo ainda vende, mas as propagandas com forte carga sexual parecem não produzir o mesmo efeito que provocavam nas décadas de 80 e 90, com exceção de um segmento: o dos perfumes.

"A comunicação tem evoluído. O consumidor mudou e as marcas tentam se adaptar. Antes os comerciais prometiam sucesso, status e sexo. Mas o que as pessoas querem e o que funciona agora é manter uma conversa, dizer-lhes coisas úteis com as quais podem se identificar", afirma Felix del Valle, diretor executivo de criação da agência Contraponto/ BBDO, em entrevista ao jornal espanhol 'El Pais'.

Essa tendência à conversa, seja com pessoas ou marcas, parece ser confirmada em recente estudo do Instituto Experian Hitwise ao revelar que usuários brasileiros estão mais interessados em frequentar uma rede social do que procurar por sexo na web. De acordo com a pesquisa, em dezembro de 2011, o destino de 19,38% dos usuários era alguma rede social, enquanto apenas 5,29% das visitas buscaram algum tipo de site com conteúdo sexual. O  resultado se repetiu em outros países, como Estados Unidos, França e Nova Zelândia.

"O cliente não é apenas alguém que recebe o impacto publicitário, mas aquele que quer participar de um diálogo com a marca, e se algo não lhe parece bem vai comentar sobre isso em um fórum na internet", diz Del Valle. Dessa forma, o uso gratuito do sexo não é apenas um recurso ineficaz, mas pode ser contraproducente.

Talvez corpos nus não causem mais surpresa. Ou os consumidores tenham perdido a ingenuidade e simplesmente não acreditam mais na ideia de que por meio da compra de um determinado carro vão levar para a cama aquela mulher de pernas quilométricas, como se ela fosse um item de série.

Para Gonzalo Brujo, CEO da consultoria de marca Interbrand, também ouvido pelo 'El País', a diminuição no conteúdo erótico dos anúncios é também um reflexo e consequência da evolução social. "Desde que as mulheres conquistaram poder e a liderança do ponto de vista empresarial, tanto elas como os homens estão cada vez menos representando clichês de objetos sexuais", argumenta.

Elas decidem nos negócios, mas também no mercado. "Há 20 anos, o maior cliente no setor automotivo era o homem. Agora, são elas que compram mais carros. A indústria de cerveja, por exemplo, líder absoluta no uso do apelo sexual em comerciais e anúncios, teve que se reinventar porque o seu nicho de mercado está muito mais segmentado. A cerveja é para todos os públicos, e o componente erótico não agrega mais valor", afirma Brujo. "O efeito provocativo e surpreendente de mostrar um corpo desnudo nos anos 80 desapareceu quase totalmente na atualidade."

Excetuando o segmento de perfumes, em que o uso do erótico e do sensual não perdeu a força, os publicitários hoje em dia estão mais preocupados em criar campanhas que captam também a atenção das crianças, esses sim os consumidores que decidem as compras familiares.

Com informações do 'El País'


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