CONCURSO CULTURAL ABRAJI/ NÓS DA COMUNICAÇÃO
Os três principais eixos temáticos do 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a ser realizado em 12, 13 e 14 de julho, são: jornalismo on-line, megaeventos esportivos e eleições. Dentro das comemorações dos 4 anos do Nós da Comunicação, promovemos um concurso cultural em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Quisemos saber: 'Que pergunta você gostaria de fazer a um convidado do Congresso? E a quem você faria?' A contribuição da leitora Ana Luiza Silva, jornalista de Franca, em São Paulo, foi escolhida e ela irá participar do evento gratuitamente.
Em junho de 2012 faz dez anos que o jornalista Tim Lopes foi assassinado por traficantes do Complexo do Alemão enquanto apurava informações para uma reportagem sobre exploração sexual de jovens e consumo de drogas em bailes funk. No ano anterior, o jornalista já tinha feito uma matéria chamada 'Feira de drogas', que expusera essas práticas ilegais. A partir de uma carta escrita por Lopes, em 1999, seu filho Bruno Quintella resolveu levar para as telas de cinema a trajetória do pai no documentário 'Histórias de Arcanjo' (assista ao trailer). O filme, que já está em fase de produção, traz depoimentos de colegas de profissão como Geneton Moraes Neto, Zuenir Ventura e Arthur Dapieve.
Logo após a morte do jornalista, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) foi criada, como contou Marcelo Moreira, editor-chefe do RJTV 2ª edição, durante um chat do Nós da Comunicação. Para Marcelo, membro da Abraji desde sua fundação, e hoje presidente da entidade, o episódio foi um divisor de águas no Brasil. "Naquele momento, o jornalista perdia o pensamento inocente de que o crachá o protegia de tudo". A partir de então, duas questões da profissão tornaram-se fundamentais: "Estarmos sempre bem preparados para uma matéria considerada de risco e cobrar das autoridades o seu papel", explicou.
Em outra entrevista, Marcelo reafirma a importância de oferecer treinamentos específicos para jornalistas. "O profissional deve se preparar bem para determinados tipos de reportagem", comentou ressaltando a importância de estar consciente de que uma reportagem não vale uma vida.
Infelizmente, ao longo dos anos, a violência contra profissionais da imprensa não cessou nem no Brasil, nem no exterior. Só no México, na última década foram contabilizados 70 assassinatos. (Leia a matéria sobre o tema). De acordo com um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), foram registrados 27 casos de crimes contra jornalistas brasileiros nos últimos meses. Só este ano, foram quatro casos.
Diante desse cenário, o tema será abordado durante o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a ser realizado nos dias 12, 13 e 14 de julho, em São Paulo.
Em outro caso recente, dessa vez em 2011, o blogueiro e advogado Ricardo Gama sofreu um atentado perto de sua casa, no Bairro Peixoto, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Como reação, blogueiros e solidários a Gama participaram de manifestações em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual. O advogado é conhecido por publicar críticas a políticos fluminenses. Mesmo após o atentado, Ricardo Gama continua publicando textos até hoje.
Pesquisar e apurar
Jornalistas de todo o mundo têm usado os documentos do WikiLeaks como fonte de dados para novas pautas. Em entrevista, Natalia Viana, editora do blog do WikiLeaks no Brasil, falou sobre as parcerias do site com grandes jornais brasileiros. Para a jornalista, se aliar a grandes veículos trouxe credibilidade ao blog. "São jornais que têm uma equipe estruturada, que poderiam se debruçar sobre esses papéis de maneira ordenada, tirando notícias dali. Tem coisas que acho que não são notícias, e eles dão, tem coisas que acho que são, e eles não dão", explicou.
Entretanto, a área de jornalismo de dados não é exclusiva de veículos com grandes estruturas de trabalho. Em artigo publicado recentemente, Simon Rogers, editor do 'The Guardian' fala sobre o assunto.
Em reportagem, o Nós da Comunicação abordou o tema e conversou com profissionais de diferentes veículos, entre eles Daniela Arbex, repórter do jornal 'Tribuna de Minas'. "A minha realidade é muito específica, pois trabalho em um jornal pequeno, mas que tem abraçado causas muito maiores do que ele. Embora precise de tempo, a grande reportagem agrega valor ao jornal, fideliza o leitor e dá credibilidade ao veículo", contou.
César Viana, jornalista e colaborador da primeira edição do manual de redação de jornalismo de precisão, também contribuiu com o debate sobre o tema em nosso site. Para o professor da Universidade Federal de Goiás, o 'jornalismo de precisão' - o termo foi usado pela primeira vez em 1973 - é 'um esforço da mídia para se adaptar às mudanças que transformam os espaços de informação'.